domingo, 22 de novembro de 2009

Tempo Espaço

por Paula Assunção
Queria ser de lugar nenhum.
Ser como o vento,
Que voa.

Basta fechar os olhos

E, ao sentir o vento,
Acolhedor e fresco,
Tento me transportar para qualquer espaço.

Mais do que isso,

É no tempo espaço em que fui mais feliz
Que vou me encontrar.
E sonho intensamente
Em poder voltar lá...

Uma nova eu,

Um novo tempo,
Um mesmo lugar.

sábado, 14 de novembro de 2009

Saber amar


Já me foi dito que eu não sei amar. E numa época tão difícil, em que tantos amigos e conhecidos vêm passando por uma série de problemas em seus relacionamentos, me pergunto: quem sabe? Qual é o segredo, afinal?

De uma coisa tenho certeza: sou humana (todos somos!). Com isso quero dizer que cometemos erros, metemos os pés pelas mãos, falamos o que não queríamos, sentimos o que não prevíamos. Temos nossas expectativas quebradas, não só com relação ao outro, mas muitas vezes a nós mesmos.

Precisamos amadurecer para entender o que é o amor. Por mais que na prática se sonhe com o encontro do par perfeito, o amor é mais que isso. Ele é sensato, mas incondicional; ele é altruísta sem ser permissivo; ele é o que há de mais forte e, ao mesmo tempo, o que há de mais sublime. Como definir, então, o amor em meio a tantos paradoxos? Devemos saber compreender, ceder, perdoar, reconhecer os próprios erros, apoiar, valorizar... Mas – CÉUS!!! – qual é a medida certa para tudo isso? Amar a perfeição seria fácil...

A palavra de ordem no ato de amar é EQUILÍBRIO (na verdade, me arriscaria a dizer que esse é o segredo da vida). Saber dizer quando o outro está errado sem magoar, ceder sem se omitir, cuidar sem sufocar, brincar sem desrespeitar etc., etc., etc. DEUS! COMO É DIFÍCIL!!!

Diante de tudo isso, vejo com mais clareza: de verdade, na prática, ainda tenho muuuito o que aprender... Não simplesmente sobre o que é o amor, mas sobre AMAR.

Tenho que admitir: sim, ainda estou aprendendo a amar... Mas, quem não está?


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Não se admire se um dia..."

*Original - escrito no ônibus! - no dia 03/11/2009.


Hoje eu vi um beija-flor em meio ao caos da cidade.

Sentada no banco do ônibus, soltei uma exclamação e tive o impulso de me jogar para ele, pressionando minha mão contra o vidro da janela. Então, em questão de segundos, com a mesma velocidade e magia com que ele surgiu, ele desapareceu, mergulhando na piscina de concreto formada pela obra no meio da qual se encontrava... Quase que imediatamente, com a mesma rapidez com que ele escapuliu de mim, me lembrei do dia em que um beija-flor “invadiu a porta da minha casa”. Na verdade, foi a janela.

Quando ele entrou, foi aquele alvoroço. Minha mãe, assustada, me chamou correndo, achando que o animal se tratava de um morcego. Logo percebi que não. Tratava-se, pois, de um beija-flor, um pequeno beija-flor preto esverdeado, de peninhas nacaradas ou, mais, encantadas. Como ele voava, aflito, para lá e para cá por toda a sala, se chocava repetidamente contra o teto, deixando a mim e a minha mãe preocupadas com seu bem-estar. Foi, então, que eu tive uma ideia: envolvê-lo carinhosamente em um lençol para assim devolvê-lo de volta ao mundo... E foi simplesmente lindo!

Com o lençol enrolado em minhas mãos, me coloquei no parapeito da janela e fui calmamente abrindo o lençol, pouco a pouco, como quem vai despetalando um botão de rosa... E eis que do meio desse botão nasceu, diante dos meus olhos, o lindo e minúsculo ser, que me permitiu tocá-lo e admirá-lo por alguns segundos antes de se lançar ao ar... Foi com lágrimas espontâneas da mais pura emoção e com um imenso sorriso de gratidão no rosto que fiquei ali, admirando o céu azul que roubara de mim aquela doce criatura e pensando:

Obrigada Deus! Obrigada por permitir que no breve espaço da minha vida, eu tenha tido a honra de acariciar a cabecinha de um indomável beija-flor.

domingo, 1 de novembro de 2009

"Apenas mais uma história..."

Hoje um alguém me perguntou o porquê de eu não escrever mais no meu blog... Essa foi uma pergunta muito maior do que pode parecer para qualquer um que leia essa postagem e eu não posso explicar o porquê... Não vou explicar, não adianta! rsrs Mas a questão é que, depois de respirar fundo e me recompor, tentando não pensar em tudo que estava passando pela minha cabeça, eu fiquei pensando e pensando: “por quê?”

Ainda tentei procurar algo na minha velha pasta de “Coisas que escrevo”, mas não encontrei nada de interessante para postar aqui... Então, pensei: “por que não um recomeço? Vai lá, escreve!” E foi impossível não pensar também em Clarice! Clarice Lispector, da qual eu li apenas duas obras, mas que me tocaram profundamente o coração. Como me tocou a peça de teatro que assisti sobre ela. Não diria sobre sua vida, mas sobre seu ser e sua obra. Então, me lembrei que minha necessidade de escrever já havia se feito presente em mim. E foi na quinta-feira passada que escrevi, esperando uma aula começar, o seguinte:

Apenas mais uma história...

Neste exato momento, eu não caibo em mim mesma.

Descobri algo que eu já sabia: tenho alma de escritora. Minha sensibilidade se aflora com as coisas mais simples do dia a dia: uma aranha em sua teia em meio a um jardim florido, a saudade do que sinto sem ter vivido, a perspectiva de um futuro aventureiro em que eu abraço o mundo por completo.

Acho que me inspirei muito pela peça que assisti ontem: Simplesmente eu, Clarice Lispector. É encantador como a peça se trata de Clarice fazendo uma leitura dela mesma. Grande parte do espetáculo, senão todo ele, fala sobre a importância da palavra, do que é escrever e de como os limites entre ela mesma [Clarice] e a palavra são indefiníveis.

Como sempre, escrevi só o começo de algo que não tem fim previsto. Que não sei se é um livro, um desabafo, a resposta a um pedido que sequer foi um pedido!

Respostas surgem após as perguntas... E o que eu postei aqui já estava escrito! ^_~