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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Não se admire se um dia..."

*Original - escrito no ônibus! - no dia 03/11/2009.


Hoje eu vi um beija-flor em meio ao caos da cidade.

Sentada no banco do ônibus, soltei uma exclamação e tive o impulso de me jogar para ele, pressionando minha mão contra o vidro da janela. Então, em questão de segundos, com a mesma velocidade e magia com que ele surgiu, ele desapareceu, mergulhando na piscina de concreto formada pela obra no meio da qual se encontrava... Quase que imediatamente, com a mesma rapidez com que ele escapuliu de mim, me lembrei do dia em que um beija-flor “invadiu a porta da minha casa”. Na verdade, foi a janela.

Quando ele entrou, foi aquele alvoroço. Minha mãe, assustada, me chamou correndo, achando que o animal se tratava de um morcego. Logo percebi que não. Tratava-se, pois, de um beija-flor, um pequeno beija-flor preto esverdeado, de peninhas nacaradas ou, mais, encantadas. Como ele voava, aflito, para lá e para cá por toda a sala, se chocava repetidamente contra o teto, deixando a mim e a minha mãe preocupadas com seu bem-estar. Foi, então, que eu tive uma ideia: envolvê-lo carinhosamente em um lençol para assim devolvê-lo de volta ao mundo... E foi simplesmente lindo!

Com o lençol enrolado em minhas mãos, me coloquei no parapeito da janela e fui calmamente abrindo o lençol, pouco a pouco, como quem vai despetalando um botão de rosa... E eis que do meio desse botão nasceu, diante dos meus olhos, o lindo e minúsculo ser, que me permitiu tocá-lo e admirá-lo por alguns segundos antes de se lançar ao ar... Foi com lágrimas espontâneas da mais pura emoção e com um imenso sorriso de gratidão no rosto que fiquei ali, admirando o céu azul que roubara de mim aquela doce criatura e pensando:

Obrigada Deus! Obrigada por permitir que no breve espaço da minha vida, eu tenha tido a honra de acariciar a cabecinha de um indomável beija-flor.