| por Paula Assunção |
Dois anos, quatro meses e dezenove dias. E eu, na falta de um nome melhor, chamando aquilo de paixão.
Entender a falta de sentido de tudo é tão fácil... É tão... Óbvio.
A mente age de modo objetivo. Principalmente a mente dos teimosos. Escolhe-se um alvo e pronto! E foi assim que aconteceu.
Até o dia em que reparei que isso não podia dar certo para mim. Não! Eu tinha que ser escolhida, e não escolher. Eu tinha que ser desejada, e não desejar. Para os passionais, escolher e desejar é tão fácil.
Não! Não digo que se saia por aí querendo qualquer um... Pelo contrário! É difícil até olhar para o lado. Olha-se sim, mas descompromissadamente, como muitos por aí. Agora, olhar de verdade, querer se entregar, não. Aí já entra o problema do apego. Talvez coisa do signo de touro.
Ninguém quer ser tábua de salvação. Ninguém idealiza para a vida ser massageador de ego, catador de migalhas, amigo “legalzinho” para as horas em que não há nada melhor para fazer.
Mais fácil do que jogar com a verdade e encarar as palavras retas e diretas no meio da cara é jogar com o que é oblíquo, indireto, dúbio. Quando não se tem absolutamente nada a perder, é mais fácil...
Por mais que certas coisas sejam óbvias, claras como a água, quando não existe a coragem de se lidar com elas de frente e a realidade está muito longe do aquilo que se consegue projetar, é mais fácil fingir que tudo é nada.
Juventude, inteligência, beleza, vontade e até amor. Ferramentas.
E é mais fácil escolher a ilusão: pura covardia. Essa atração só pode ser fruto dessa covardia, em que ninguém se mexe. Só se idealiza. E se teme, é claro. Afinal, como daria certo?
Hoje eu levei uma bofetada que dizia: é mais fácil amar o desconhecido, pois, na mente, ele é perfeito, enquanto o real tem falhas.
E ela veio de uma forma tão doce... Envolvida em sabedoria e compreensão.
Enfim, eu posso dizer que conheci o AMOR. Por mais que de forma passageira, foi o amor real que passou por aqui. Quero dizer que, mais do que de dentro para fora, de fora para dentro e vice-versa. O amor que inspira de mil maneiras, que move.
Que nunca havia me feito escrever, porque escrever é só ficção. Mas que tinha feito eu me mexer!
Isso é transcendental, raro e difícil de explicar.
E eu fui tola, imatura, infantil... Não soube apreender tal grandeza com facilidade, com não sei bem lidar com tudo até agora.
Tudo foi jogado para o alto por... NADA! Por pura ilusão... Por envolvimento nocivo, um visgo retardante...
Existe GRANDEZA aqui! Grandeza na simplicidade, o valor de um ser amante. Não é muito merecer a verdade. É o mínimo, o básico. Palavras são só palavras...Vazias e sem essência sem o suporte das atitudes. Eu estou bem agora, não haverá surtos... Só estou cansada e com certa pena de mim... Por minha tolice e minha ingenuidade diante da vida e de mim mesma.
O que quero dizer é que, durante todo o tempo, tinha toda a razão. Não há sentido, só a falta dele. E eu nunca senti tanta falta dele... Da sobriedade dele, das mãos dele, do olhar dele.
Mesmo eu não me achando merecedora, às vezes, isso só é mais uma tolice. Aconteceu por que tinha que acontecer. Para eu aprender... Ter parâmetros.
Se houvesse atitudes, se houvesse coragem, mas não há nada do outro lado, nada... Somente eu, parada, sonhando e esperando. Isso enquanto o óbvio, o vivo, o louco, mas INCRÍVEL está do meu lado, mesmo longe... Do meu lado estão franqueza, atitude, certeza, fortaleza, coragem... E eu buscando os extremos opostos.
Três meses e vinte e dois dias. E eu conheci o amor... E sinto falta dele.
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